MUSCULATURA E SAÚDE DE BAILARINAS CLÁSSICAS
A literatura especializada descreve grande número de agravos que são típicos das praticantes de dança com predominância das lesões nos membros inferiores. No entanto, em nosso meio, pouco se conhece sobre o impacto da exposição das bailarinas a esses processos mórbidos. O objetivo da presente investigação buscou observar a ocorrência de Agravos Músculos-Esqueléticos (AME) em praticantes de balé e em bailarinas sem formação clássica, comparando-as com escolares participantes apenas de aulas de Educação Física. As bailarinas clássicas e não clássicas apresentaram movimentos de flexão como a causa situacional . Entre os grupos a região corporal que mais se destaca é o joelho, com predominância de intensidade moderada. O elevado número de dias que as bailarinas clássicas referiram queixas de dor pode estar relacionado com movimentos repetitivos resultantes de microtraumas na ultra estrutura de músculos, tendões e ligamentos que indicam o caráter crônico dos agravos.
Uma pesquisa recente mostrou que, na comparação entre a natação e o balé clássico, este apresenta melhores resultados em sete de dez medidas de condicionamento físico. A conclusão é de um trabalho conduzido por Tim Watson, professor de fisioterapia da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido. Ele comparou o condicionamento e o desempenho de membros do Royal Ballet com o de nadadores da seleção olímpica britânica.
A maior surpresa foi no teste que mediu a força de empunhadura (força da mão ao agarrar um objeto), em que os bailarinos se mostraram cerca de 21% mais fortes do que os nadadores. Os praticantes de balé também obtiveram melhores resultados nos testes de flexibilidade e equilíbrio corporal (parado ou em movimento), o que já era esperado. Os outros quesitos em que os bailarinos se saíram melhor foram salto a distância, salto em altura, porcentagem de gordura corporal e equilíbrio psicológico. Os nadadores ficaram à frente nos aspectos resistência, força nos músculos anteriores e posteriores das coxas e índice de massa corporal. A pesquisa britânica foi feita com profissionais, mas pode servir para atletas amadores com uma queda para a dança. "O balé é uma forma de fortalecer os músculos sem encurtá-los e de trabalhar várias habilidades, como coordenação motora e equilíbrio, ao mesmo tempo. Esses benefícios da atividade podem ser obtidos por qualquer praticante, profissional ou amador"
As aulas de balé para um grupo de adultos na mesma classe, profissionais de dança dividem a barra com amadores. Vários só começaram a dançar depois de adultos, contrariando a crença de que a atividade só serve para quem começa na primeira infância. "Hoje em dia, nem para profissionais isso é verdade. Não é preciso começar cedo, mas é fundamental que o aprendizado seja bem-feito, com um trabalho de consciência corporal bem fundamentado",
O trabalho de consciência corporal e a busca da qualidade do movimento são as chaves para explicar o sucesso das aulas de balé para adultos não-profissionais. As aulas disponíveis ainda não são muitas, mas os locais que oferecem a atividade têm as salas lotadas de alunos bastante empolgados com o tipo de trabalho oferecido e com os resultados obtidos.
Para professores e fisioterapeutas, mesmo adultos que nunca fizeram aulas podem aprender balé.
Benefícios
O que a técnica proporciona
Adultos procuram aulas de balé em busca de prazer e de benefícios como melhora da força muscular, do equilíbrio e da flexibilidade
- Aumenta a força muscular sem encurtar os músculos
- Desenvolve a coordenação motora
- Melhora o equilíbrio
- Favorece o alinhamento postural
Riscos
O que exercícios feitos sem orientação podem causar
- Sobrecarga nos tendões do tornozelo
- Lesões no joelho
- Joanetes e deformação do pé
- Lordose
Cuidados para quem vai começar
- Não espere resultados rápidos; eles vêm, mas é preciso respeitar o ritmo do corpo
- Não se espelhe em outros alunos; o que importa não é levantar a perna até o teto, mas executar bem o movimento
- Como em todo exercício, é preciso constância; tente fazer, no mínimo, duas aulas por semana
- Preste atenção na postura; peça ajuda ao professor para corrigir algum desalinhamento
- Fique atento aos sinais de dor, principalmente nos joelhos e nos tornozelos
- Cuide dos pés: o balé exige que eles suportem o peso do corpo por muito tempo; antes e depois da aula, massageie a planta, alongando os dedos.

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